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08 Outubro 2009
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Notícias -
Artigo acadêmico
Antes de iniciarmos esta discussão, faz-se necessário a seguinte pergunta: qual a importância da pesquisa no meio acadêmico? Respondo: a pesquisa pode ser um grande instrumento na construção de conhecimento do aluno, onde este poderá expandir sua curiosidade, buscando soluções, ou ainda novos questionamentos.
Nossas universidades brasileiras, nos dizeres de Marilena Chauí, absorvem e exprimem as idéias e práticas neoliberais, hoje dominantes. Marilena diz que os universitários, mesmo se pondo a favor ou contra, trabalham com a mesma temática, com relação à pesquisa, que é a aceitação da avaliação acadêmica pelo critério da titulação e das publicações, com total descaso pela docência, critério usado pelas universidades privadas norte americanas, nas quais a luta pelos cargos e pela efetivação é feita a partir dos critérios quantitativos da produção publicada e pela origem do titulo de PhD.
Outra critica, que a iminente pensadora faz, é com relação às “linhas de pesquisa”, pois esse critério é usado para áreas que trabalham com grandes laboratórios e com grandes equipes de pesquisadores, mas que não faz nenhum sentido nas áreas de humanidades e nos campos de pesquisa teórica fundamental.
Hoje em dia boa parte dos pesquisadores está preocupado em “encher currículo”, e não com a principal função da pesquisa, que é o desenvolvimento de uma região, ou até a melhoria e o progresso de uma sociedade. Marilena Chauí questiona esse tipo de pensamento: “o que seria a produtividade nas humanidades? Número de publicações? E publicações traduzem verdadeiramente nosso trabalho?”.
O que se vê, nas atitudes de certos pesquisadores, nas palavras de Chauí, é “um supermercado de bens simbólicos e culturais”, onde buscam pesquisar, desenfreadamente, criando nas universidades certos círculos de pesquisa fechados para os demais acadêmicos, criando-se assim uma “elite de sábios”.
O objetivo da nossa universidade tem de ser sempre com um olhar voltado para a crítica, com uma postura ativa, lado a lado com a comunidade, com um enfoque social, prezando sempre pela fraternidade e lutando contra a competitividade e a chamada “educação bancária”, que o capitalismo impõe.
Artigo enviado por Guilherme Scherer Moutinho - acadêmico de direito da Unesc
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